Tira-Caqui

Tira-Caqui

 

Há sete anos, o feriado de Tiradentes é a data escolhida para celebrar o auge da safra do caqui, no entorno do Parque Estadual da Pedra Branca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. O Tira-caqui, realizado em 21 de abril,  é uma colheita solidária feita por agricultoras, agricultores e  integrantes, principalmente jovens, da Rede Carioca de Agricultura Urbana (RedeCau) e a Rede Ecológica. O evento é aberto ao público e  marca o calendário anual agrícola da cidade desde 2011.

Nessa área, encontra-se a maior produção orgânica e natural de caquis da Região Metropolitana, com cerca de 40 hectares de plantação, segundo dados da
Produção Agrícola Municipal de 2012 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Na localidade do Rio da Prata, em Campo Grande, são mais de 20 mil pés do caquizeiro da espécie Rama Forte. Há também o cultivo da espécie mikado no Sítio da Pedra Branca, Vargem Grande e em Pau da Fome, Jacarepaguá. A fruta, de origem asiática, foi  adaptada ao ambiente agroflorestal característico daquele sistema agroalimentar.

Com o evento, busca-se dar visibilidade à agricultura tradicional da cidade, que resiste secularmente, produzindo alimento limpo e carbono zero para os cariocas. Também neste período de alta da safra, os agricultores esperam combater o desperdício da fruta.  A ausência de mão de obra; o envelhecimento da população; o preço baixo do caqui do agronegócio; o alto custo, ou a ausência, de logística adaptada para a situação faz com que o carioca deixe de ter acesso a esse alimento limpo, sem agrotóxico e sem injustiças sociais ou ambientais

O Tira-Caqui traz à tona as limitações postas por um sistema alimentar industrial, em que as etapas de produção, fabricação, distribuição  em larga escala, restringe a entrada de outros modelos de produção agrícola. Neste contexto, a colheita  solidária do caqui é  uma inovação social ligada à  soberania e segurança alimentar. O evento é uma oportunidade para cidadãs e cidadãos conhecerem os sabores tradicionais de sua cidade; bem como outras maneiras de produzir alimentos sem veneno na zona urbana e os desafios enfrentados para manter esse modelo de agricultura.

Nesta edição, as redes organizadoras do evento lançaram a Força Tarefa Caqui Daqui para avançar além da colheita. Silvia Baptista, membro da Associação de Agricultores Orgânicos de Vargem Grande (Agrovargem), destaca que o foco passou a ser o ciclo produtivo da fruta. “Pensar desde o manejo dos caquizais até a mesa do carioca, passando por comunicação interna e externa, logística e autonomia dos agricultores e das agricultoras que tipifica a agroecologia”, são as estratégias a serem desenvolvidas, conforme explica Silvia.

A Força Tarefa conta com a adesão da Instituto Maniva e da Malagueta Comunicação. Há dois anos, o Maniva, presidido pela chef Teresa Corção, pesquisa receitas e produtos derivados do caqui no Rio da Prata, elaborando ações coordenadas entre  mercado da ecogastronomia e a agricultura local. A Malagueta atua com comunicação especializada em gastronomia há 10 anos. “As duas parcerias que chegam podem contribuir para resolver algumas lacunas do conhecimento em relação ao caqui agroflorestal da Pedra Branca”, afirma Silvia.

De 19 a 25 de abril, quatro ecochefs, membros do Instituto Maniva,  servirão em seus restaurantes pratos com o caqui da Pedra Branca. A chef Teresa Corção (O Navegador), preparou duas sobremesas:  Tarte tatin de caqui e Compota a frio de caqui com vinagre de caqui.  O chef Frederic de Mayer (Eça) vai servir de entrada Salada de caqui com berinjela, queijo e cebola caramelizada e,  de sobremesa, Delícia de caqui marinados com chantilly de mascarpone e crumble de caju com especiarias. Já o chef Rafael Costa e Silva (Lasai) utilizou a fruta fresca acompanhada com castanha de caju tostada e banhada na água da própria fruta aromatizada com hortelã. A chef Roberta Ciasca (Oui Oui e Miam Miam) também apostou na versão doce da fruta com Crumble, sorbet e gelatina à base de caqui.

Na sexta-feira, dia 21 de abril, o Tira-caqui acontecerá das 9h às 15h, na Associação de Moradores em Vargem Grande. O dia vai começar com um café da manhã colaborativo, inspirado no caqui. Os visitantes podem levar alimentos para partilhar. A abertura do evento terá a participação da Juventude Carioca de Agroecologia. A partir das 9h, terão início as oficinas e também a colheita nos caquizais. Depois da colheita, será servido o almoço e a programação também contará com rodas de conversa.  Para participar é necessário fazer a inscrição pelo formulário https://goo.gl/ZJfHRK e colaborar, antecipadamente, com  o valor de R$ 20. No entanto, crianças, adolescentes e jovens não pagam a colaboração.

O mês do caqui da Pedra Branca

Está sendo tecida uma rede conhecimentos, saberes e práticas para que o alimento agroecológico, como o caqui, faça parte do dia dia do carioca, contribuindo para fortalecer os vínculos sociais, culturais e econômicos com o lugar de produção e consumo. Para combater o desperdício da fruta, que é destinada ao consumo animal para evitar ser jogada no lixo, a criatividade tem se concentrado nas possibilidades de processamento do caqui com o preparo de doces, geleias e licores. Várias receitas tem sido experimentada por ecochefs e culinaristas da agroecologia. Alguns processados já são conhecidos e distribuídos há anos, como o vinagre de caqui. Outros estão começando agora como o gelado de caqui e a compota de caqui à frio, receita da ecochef Teresa Corção.

A Força Tarefa está pensando estrategicamente os desafios para que o alimento agroecológico tenha um preço justo, considerando o transporte feito por tração animal; o transporte e a logística, com as estufas de maturação, o armazenamento e as cozinhas de beneficiamento. Os canais de distribuição, com a atuação dos Ecochefs do Instituto Maniva; a Comida da Gente, e as paróquias de Campo Grande. E no campo da comunicação, os alunos da curos de pós-graduação em Jornalismo Gastronômico propuseram uma ação comunicativa chamada Comunicaqui, que busca caminhos para dar visibilidade na imprensa especializada em gastronomia para a pauta que trata sobre o acesso a alimento agroecológico na cidade de Janeiro.

Em 2017, as redes que organizam o Tira-Caqui iniciaram um processo de  pequenas colheitas, com finalidade pedagógica. A finalidade é identificar os espaços de aprendizado e melhorar efetivamente a colheita. O Centro de Educação Multicultural (CEM) através participou de duas colheitas com o agricultor Jorge Cardia. (inserir link do vídeo)  https://www.youtube.com/watch?v=dlZwy8O9LM0&feature=youtu.be . No dia 02 abril, a juventude agroecológica ligada à Fundação Xuxa Meneghel fez uma colheita. As reflexões e colaborações serão apresentadas no dia 21 de abril.

Serviço
Tira-caqui
Data: 21/04/2017 (sexta-feira)
Local: Associação de Moradores de Vargem Grande
Endereço: Estrada do Pacuí, 80
Referência: próxima à Praça José Baltar
Horário: das 9h às 15h
Contribuição:  R$ 20
Dados para depósito: Agrovargem – Caixa Econômica Federal – Ag: 3111  op: 003 C/C: 1029-0
Informações: tiracaqui@gmail.com