Capital nacional da biodiversidade alimentar

Capital nacional da biodiversidade alimentar

No Ano Internacional da Biodiversidade e às vésperas de completar 50 anos, Brasília sedia dois importantes eventos que evocam as raízes da cultura alimentar brasileira e celebram a biodiversidade alimentar.carlopetriniefbfbdalbertoperoli_1.jpgNessa sexta-feira, dia 19, começa a segunda edição do Terra Madre Brasil – Encontro Nacional de Ecogastronomia – , promovido pela associação Slow Food. O evento conecta cerca de 550 participantes que atuam no setor agroalimentar como chefs de cozinha, agricultores, estudantes, pescadores, pesquisadores e produtores artesanais ligados ao território. Destaque para a presença do fundador e presidente da associação, Carlo Petrini, que participa dos dois encontros.

As cinco regiões do país, além de etnias estarão representadas na Feira da Identidade Alimentar, que apresenta os sabores e os sons do Brasil. O público poderá conhecer atividades como o ofício do umbu, do açaí e da pupunha; a fabricação de beiju de coco babaçu e da cajuína. Catadores de aratu, de Sergipe, produtores de Marmelada, de Santa Luzia (GO), e catadores de Ostras, de Cananéia (SP) promovem intercâmbio de saberes tradicionais.

Os indígenas terão rodas de conversas sobre suas tradições alimentares e modos de fazer culinários. É o caso do Palmito Juçara, dos Guaranis, e do Guaraná, dos Sateré Mawé. A mandioca terá uma tenda especial com apresentação de diversos tipos de farinhas, produzidas em diferentes regiões do Brasil, incluindo degustação de tapioca, beiju, bijajica (cuscuz de massa de mandioca).

Além da feira, o encontro reúne os participantes da rede Terra Madre para trocas de saberes por meio de dinâmicas que instigam o paladar, estimulam a reflexão e propõem exemplos práticos de como implantar mudanças na maneira de consumir e produzir alimentos. É o caso do Laboratório do Gosto, Percurso de Análise Sensorial e Rodas de Aprendizagem. Além das oficinas, os membros participam de palestras com temas como “Identidade territorial e valorização da agricultura familiar” e “Empreendedorismo: do campo à mesa”.

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Durante o Terra Madre, os alimentos ameaçados de extinção serão o centro das práticas e discussões, que privilegiam a biodiversidade alimentar, a agricultura sustentável e as tradições gastronômicas. Por meio da Fundação Slow Food para a Biodiversidade, a associação desenvolve projetos como a Arca do Gosto, as Fortalezas e os Mercados da Terra. No Brasil, oito produtos fazem parte das Fortalezas, que articula entidades locais, técnicos e pequenos produtores para salvaguardar alimentos. Entre eles, Arroz Vermelho, Guaraná Nativo Sateré Mawé, Palmito Juçara, Castanha de Baru e Néctar de Abelhas Nativas.

Chefs de cozinha, cozinheiros rurais e merendeiras compartilham receitas e princípios da ecogastronomia, baseado na conexão entre o prato e o campo. Nomes como Ana Luiza Trajano (Brasil a Gosto/SP); David Hertz, idealizador do projeto educacional Gastromotiva (SP); e Cesar Santos (Oficina do Sabor/Olinada-PE) que participam pela primeira vez do encontro em Brasília. O time dos veteranos conta com nomes engajados como Teresa Corção (O Navegador/RJ), Beth Beltrão (Virada’s do Largo/ Tiradentes/MG), Beto Pimentel (Paraíso Tropical/Salvador-BA), Faustino Paiva (Faustino Fortaleza/CE), Ofir (Sabor Selvagem/ Camboriu-SC), Francisco Ansiliero (Dom Francisco/ Brasília-DF) e Adriana Lucena (Quinta da Aroeira/ Natal – RN).

Logo após o término do Terra Madre começa a segunda edição do Salão Nacional dos Territórios Rurais. A proposta é compartilhar práticas empreendedoras que combinam relevância para a região, envolvimento da comunidade, gestão e controle social. Cerca de 143 iniciativas serão apresentadas no evento, que vai reunir, aproximadamente, 2 mil pessoas ligadas ao setor rural. Além das Oficinas de Políticas Públicas e programação cultural, painéis de discussão com autoridades e convidados internacionais prestigiam o Salão. Durante seis dias a capital federal será o epicentro da biodiversidade alimentar no Brasil, reunindo grupos de todo o canto do país para prestar tributo à mãe terra e colocar o alimento no foco das relações de produção e consumo.

Equipe Malgueta

Texto: Juliana Dias

Imagens: Carolina Amorim (fotografia Petrini de Alberto Peroli)

Revisão: Vanessa Souza Moraes